Finalmente! Depois de muita espera consegui ver ontem esse, que é considerado um dos favoritos ao prêmio de melhor filme no Oscar 2008.

Para não me tornar repetitivo, eis um post com a sinopse, o trailer e as indicações.

O que tenho para falar do longa? Ele é sensacional. Do início ao fim, a trama linear e secundária dá lugar aos personagens a suas complexas caracterizações psicológicas.

Interessante notar como tanto aqui como em Sangue Negro (maior concorrente deste na disputa), a trama fica em segundo plano. O importante é a ambientação e como os personagens se movimentam em suas personalidades esféricas.

A história é simples: um cara comum (veterano da Guerra do Vietnã, interpretado de forma marcante por Josh Brolin); melhor seria chamá-lo de “sobrevivente” pois ele age o filme todo como se tivesse a sua vida marcada pela luta da sobrevivência no mundo árido e seco – repare na metáfora que é o deserto em contraste com a vida sofrida e dolorosa; bem, eis que ele está caçando e encontra uma cena de chacina com vários traficantes mortos e uma valise com US$ 2 mi – ao que parece, uma transação de drogas que não deu muito certo. De posse do dinheiro, começa a ser perseguido por um assassino que também quer a “verba”.

Aqui fazemos uma parênteses para falar do extraordinário Javier Bardem interpretando o referido assassino. O cara simplesmente realiza uma das maiores atuações do cinema. Juro que paro de postar neste blog se ele não levar a estatueta de melhor ator coadjuvante: esta é a maior barbada deste ano!

Que atuação! Interpretar um serial killer que sente prazer sádico em matar sem encarnar um esteriótipo é algo difícil de fazer; mais difícil ainda é manter seu personagem sóbrio e sem exageros durante toda a trama. Reparem no olhar e no tom de voz sempre igual, é como se nada abalasse este psicopata – nem mesmo em uma cena que nos revela de forma clara a “metáfora maior” do filme, ele apresenta alguma expressão emotiva ou sequer de dor! Além de tudo é impressionante como sua caracterização física (especialmente o cabelo) nos transmite um realismo maior ainda; é impossível não ficar abismado com cenas como a do “coin flip” em que a vida do dono de um bar é decidida em um cara ou coroa.

Tommy Lee Jones encarna um xerife de forma primorosa, se surpreendendo a cada minuto com as atitudes do assassino e apresentando um certo cansaço como se estivesse se rendendo a aridez da vida – de novo, a metáfora que conduz toda a trama.

A direção é excelente, com originalidade ímpar e tomadas que nos deixam ofegantes – que tal a cena inicial do estrangulamento ou em determinado momento quando o xerife chega no motel? Além disso a “ausência” de trilha sonora (as cenas são “regidas” apenas pelos sons ambientes) acrescenta algo “a mais” ao longa – repare no barulho das moscas quando os traficantes são encontrados mortos.

Finalmente, é uma história envolvente, mais pelos personagens, suas nuâncias e os diálogos empregados (no melhor estilo dos irmãos Coen) do que pela trama em si. O final acabou decepcionando alguns mas achei genial: a mensagem do fim dos tempos, de que estamos sozinhos e não há luz ou calor para nos proteger e aquecer…(algo que acompanha tudo e todos em toda a história).

Merece o Oscar de melhor filme? Com toda certeza: SIM.

Vai ganhar? Acredito que não. Ainda não vi “Desejo e Reparação” mas penso que a estatueta deva ficar com “Sangue Negro”. Este possui mais a cara de Hollywood, com um pano de fundo histórico e atuação marcante do Daniel Day-Lewis, ao contrário do “Onde os Fracos…” em que o pano de fundo é a degradação e isolamento do ser humano…

Qual eu prefiro? Apesar de ter gostado muito de “Sangue Negro”, eu daria o prêmio a “Onde os Fracos…” que, ao meu ver, possui um leque muito maior de qualidades do que aquele.

É esperar para ver…

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