
Dália Negra é um filme noir que tem como trama principal as investigações do assassinato bárbaro de Elizabeth Short, uma aspirante a atriz – um caso verídico ocorrido em Hollywood, no final dos anos 40. A partir daí, o que assistiremos é uma angustiante busca pelo assassino realizada por dois investigadores policiais. Um deles, Lee Banchard (Aaron Eckhart em atuação forçada demais) se torna extremamente obcecado pelo crime. O outro, Bucky Bleichert (Josh Harnett em atuação acima da média, bem ponderada) é o sujeito que acompanhamos por quase todo o filme, seguindo seus passos pela Hollywood sombria, repleta de crimes e mulheres sedutoras. Completam o elenco a loirissíma Kay (Scarllet Johansson – que aparece bela mas sem sal) que forma um triângulo amoroso com os detetives e Madaleine Lindscott (Hilary Swank – sem comprometer mas devo dizer que não consegui enxergá-la tão bem no papel…).
Assistir a este longa do já consagrado Brian de Palma me trouxe sensações distintas e diametralmente opostas.
Vou tentar enumerá-las aqui.
- Sensação de Empolgação: o início, principalmente para quem gosta do gênero, é muito bom. Me lembrou sim o “L.A. Cidade Proibida” e o mais recente “Sin City”. A fotografia e cenografia são geniais, a narração de fundo do protagonista só acentua e nos faz imaginar o que vem por ai…
- Sensação de Confusão: lá no começo deste texto eu falei sobre a trama principal; o fato é que há outras tramas que se entrelaçam e me deixaram com uma certa sensação de confusão. A idéia central é sempre a mesma: apresentar os personagens como seres esféricos, ambíguos, sem falsos maniqueísmos. Mas creio que há um certo exagero e, quando há a necessidade de “resolver” essas tramas, as coisas soam corridas, falsas e, principalmente, confusas e superficiais. Só como exemplo, o detetive Lee mostra uma obsessão única com o assassinato; cheguei a crer em alguma ligação amorosa deste com a assassinada… porém eis a explicação que nos é passada de forma mastigada: sua irmã foi assassinada com a mesma idade. Ponto. Não é o fato em si, mas a forma como ela é passada, é Kay quem diz para seu amigo: “Ele é assim porque sua irmã foi assassinada de forma bárbara…” Este é apenas um exemplo, há diversos outros que acabam gerando a famosa síndrome de Scooby Doo: os personagens precisam explicar a trama senão os espectadores ficam perdidos… aliás, na cena final, onde há uma confissão do crime, só faltou a confessa dizer: “E tudo daria certo se não fossem essa equipe e esse… CACHORRO!”
- Sensação de Cegueira: gerado por um fato sem pé nem cabeça defendido por todo o enredo – a semelhança da morta com Madeleine. Semelhança? Só se for no branco do olho (e olha lá ainda!). Ou será que estou cego?
- Sensação de Frustração: é, ao falar do final e ao lembrar dele é como me senti: frustrado. É incrível como o desfecho forçado acaba com toda e qualquer chance do filme. Aqui me lembrei de Minory Report – ambos são filmes com uma contextualização cenográfica excelente, totalmente imersiva mas com histórias que não chegam ao mesmo grau de excelência; é como se estivéssemos assistindo a uma montagem: trama de um filme (de Supercine) e cenário de outro…
- Sensação de Desejo: de ver um filme com uma trama boa contextualizado em um ambiente noir. Hmmm, alguém me indica algum?
Não acho que o longa é de todo ruim, mesmo se considerarmos a trama em si, mas acho que ficou bem abaixo de outros do próprio De Palma.
- Pontos Fortes: contextualização histórico-cenográfica; figurino; fotografia; algumas interpretações esparsas; cenas fortes (esse é um ponto forte para mim!)
- Pontos Fracos: tramas (principal e secundárias); muitas atuações; desfecho; cenas fortes (pode ser um ponto fraco para você!); utilização de recursos visuais sem explicação lógica (câmera com foco no narrador, por exemplo).
Eis o trailer para quem quiser saber mais. A propósito, a quem for assistir, preste atenção no “filme dentro do filme” e em como este recurso poderia ter sido melhor aproveitado na trama.
E você? O que achou do filme? Achou que fui injusto com ele?
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