Nada melhor para começar a minha coluna sobre músicas “Ouvido Esquerdo” do que criticar a crítica de música.

A utilização de sinestesia – figura de linguagem que mistura os sentidos, por exemplo, ver a música – é muito comum em críticas de músicas mas eu sempre me pergunto duas coisas:

  • quem escreve, sabe o que está escrevendo?
  • para quem ele está escrevendo?

Uma das expressões muito utilizadas pelos críticos é a da textura musical. Vindo inicialmente da música erudita, o termo mostra a quantidade de vozes na música e a relação entre elas. Mas é comum encontrar a expressão como forma de expressar o volume [intensidade, não "altura" do som] que a música tem ou até as diferentes “sensações” que a música te faz sentir [assim com o termo é utilizado no cinema].

A pior caso é o das “guitarras angulares”. Se você já leu mais de 10 críticas sobre bandas de rock é praticamente impossível não ter se deparado com o termo.

Praticamente toda banda pós-punk tem como definição em seu release o termo “guitarras angulares”. Chegamos ao ridículo de qualquer banda que coloque distorções em suas guitarras, dizer que elas são angulares. Pior ainda. Eu já vi na internet um guitarrista procurando banda que definia seu estilo como “angular”.

De maneira rápida e simples, som angular é aquele que tem uma quebra repentina ou na sonoridade ou até no tempo, causando um “ângulo”. No caso de guitarras utiliza-se muito de acordes suspensos e staccato para atingir tal efeito.

Comparando minha explicação rápida com a idéia passada acima de guitarras com distorção serem consideradas angulares, você já percebe o quanto muita gente não faz a menor idéia do que está falando.

Além disso os críticos costumam escrever esses termos como se fosse algo mais comum na vida de todos. Porque a coisa mais comum temos em nossas vidas é encontrar texturas [tato], cores e ângulos [visão] nos sons [audição]. Péra lá, né?

Acho que na verdade muitos se aproveitam do fato do desconhecimento dos termos da grande massa para inserirem esse jargões e “enriquecerem” suas críticas, mesmo que não faça o menor sentido.

Vou evitar isso. Pretendo escrever toda semana sobre música aqui no “Ouvido Esquerdo” e sempre que utilizar termos desse gênero explicarei o porquê para deixar bem claro o termo, mesmo que eu esteja utilizando de forma errada, hehe.

Aguardo vocês todas as semanas.

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