Se você é ligado em tudo que surge de novidade em música e afins, já deve ter ouvido falar de MT9. Se não ouviu, já é hora de começar a ouvir pois esse pode ser o padrão de arquivos de música nos próximos anos. As questões são: Existe mesmo vantagem? Para quem?

Tudo bem, a idéia de um arquivo que tenha 6 canais separados* e que possamos equalizar cada um deles separadamente parece extremamente interessante a princípio. Mas vamos pensar um pouco mais a respeito… Você usaria isso? Alteraria algo em algumas das faixas?

A não ser que você seja um músico, produtor, engenheiro de som ou afim, não vai ver utilidade nenhuma para isso com exceção do karaokê, único exemplo citado em praticamente todos os textos encontrados na internet. Se você é uma pessoa comum, que seu único interesse em música é praticamente ouvir, já deve odiar aqueles equalizadores com 10 freqüências e que você nunca consegue deixar o som bom. Imagina um equalizador para cada faixa ou instrumento da música?

Pra piorar, quem nunca passou pela situação de esquecer o aparelho de som mal regulado, com o balance inteiro para um dos lados, ou com o equalizador inteiro zuado e achar que tinha algo errado? Uma vez eu deixei o balance inteiro para um lado na música “For What It’s Worth” do “Buffalo Springfield” [por sinal na ótima trilha sonora de "Forrest Gump"] e só tocava o baixo e a bateria. Até perceber o que tinha acontecido eu já tinha achado que as minhas caixas de som estavam quebradas. Imagine agora esquecer todas as faixas desreguladas…

Além disso, o formato só me parece válido para novas músicas. Imagine as gravadoras tendo que pegar todas as “masters” de todos os artistas já gravados e separar em 6 faixas. Se elas já não gostaram nem um pouco da idéia do mp3, porque elas simplesmente aceitariam regravar todas as músicas dando ainda mais liberdade para o uso sem direitos autorais, uma vez que artistas poderiam utilizar somente a base do baixo para fazer um sample não autorizado?

Ainda mais que a Audizen, empresa criadora do formato, já declarou que não pretende utilizar nenhum tipo de proteção anti-cópias no arquivo. Mesmo com SONY e LG declarando interesse no formato, ainda não acredito que a receptividade das gravadoras será a mesma. Pelo menos não das grandes.

Apesar de eu desejar o sucesso do novo formato e não ver a hora dele se espalhar e tomar conta do mercado, não acredito que isso vá acontecer tão rápido quanto a mídia vem dizendo.

E você? Acha que isso vai dar certo? Acha que é útil a idéia de 6 canais separados? Deixe seu comentário.

* comentário nerd de computólogo: Já que estão fazendo um novo formato, porque limitar o número de canais? Já que começaram do zero, deviam fazer um formato que fosse possível adicionar quantos canais quisessem e fosse necessário. Imagine uma música clássica onde cada instrumento da orquestra está num canal diferente. Vai entender…

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6 Comentários sobre “Ouvido Esquerdo: MT9 – A evolução da música para poucos”

  • FredCintra comentou em 17 de junho de 2008 às 11:14 :

    Muito bom o post, parabéns!

  • Gustavo Ayres comentou em 17 de junho de 2008 às 14:40 :

    Obrigado Fred. Seu site ajudou a explicar melhor o que era o formato. :)

  • samurai comentou em 20 de junho de 2008 às 10:47 :

    eu acho boa a idéia, mas ia ficar com preguiça de regular todas as músicas.
    quanto mais chato você for pra mixagem de cada artista, menor quantidade de múicas ouvidas.

  • Gustavo Ayres comentou em 20 de junho de 2008 às 11:32 :

    Boa, não tinha pensado nesse outro problema. Você fica um tempo maior ouvindo a mesma música para conseguir equalizar, hahaha

  • Markeis comentou em 16 de outubro de 2008 às 21:51 :

    Seria legal poder fazer seus propios karaoke,duvido que as gravadoras aceitem isso.Mas torço pra que de certo e que eles deêm um jeito pra converter as musicas atuais.
    se é que seja possivel

  • Gustavo Ayres comentou em 17 de outubro de 2008 às 08:32 :

    Pois é Markeis, essa seria a única idéia realmente boa desse novo formato, por isso acho que ele não desbanca 100% o MP3, vai ser mais como uma alternativa.

    Sobre fazer com as músicas atuais, isso praticamente só seria possível com as músicas que foram gravadas em diferentes canais e ainda existem os originais, pois separar os instrumentos a partir de uma faixa já “mesclada” sempre existe perda.

    As gravadoras sempre são reticentes no ínicio mas no fim acabam cedendo, nem que isso demore 20 anos…

    Obrigado pelo seu comentário.

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