Já faz uma semana que fui ao cinema ver Batman e ainda estou com ele na cabeça. Para falar a verdade, sinto muita vontade de assistir novamente. Não vou fazer aqui uma crítica enorme sobre o filme já que muito se falou sobre ele. Só vou resumir o que me faz estar com este filme tão vivo em minha mente.
1o – É um filme de Christopher Nolan.
O cara surgiu ao realizar um filme de baixo custo extremamente original: “Amnésia” (comentei um pouco sobre este “quebra-cabeças” aqui). Depois, fez “Insônia”. Tudo bem, “Insônia” não é lá essas coisas se comparado a “Amnésia” mas uma coisa é fato: este é um diretor de um quê a mais. Quando vi Amnésia pela 1a vez, lembro muito bem que fiquei mais de um mês querendo falar sobre o filme – o que resultou em mais de 10 sessões entre mim e meus amigos e familiares (teve gente que saiu fazendo “blergh” de casa perguntando qual a graça do filme se nem sequer tinham entendido a lógica toda…
). Agora parece que está acontecendo o mesmo comigo com este Batman.
É óbvio que neste não vemos toda aquela trama “rebuscada” (como muitos insistem em dizer) vista em Memento (o nome original que foi porcamente traduzido para “Amnésia”). Não há um flashbackzinho sequer. É uma aventura, apenas isso. Opa, apenas isso? Não. É uma SENHORA AVENTURA. Cheia de tensão, suspense e muito NEGRA. Nolan sabe deixar todos sentados, angustiados, presos ao que está por vir – fazia muito tempo que não ficava tão ligado a um filme a ponto de sair suado do cinema (até esqueci as coisas ruins que presenciei no Cinemark). Enfim, o cara é bom.
2o – É um filme de Heath Ledger.
Logo depois do suicídio/morte acidental de Heath, anunciaram que a sua participação no filme estava encerrada e que, portanto, não haveria necessidade de um substituto. Desde então, criou-se tanto alarde sobre Heath, sua morte e seu “coringa” que, devo admitir, fui ao cinema ressabiado, pensando se tratar de mais uma estratégia de marketing (no maior estilo: “o final da novela está em sigilo, sendo mantido a sete chaves” ou algo do gênero). Era óbvio que fariam isso, o que aumentaria ainda mais a morbidez de um Coringa desenhado para ser bem sinistro.
A morte de Ledger realmente tornou seu personagem mais obscuro, controverso e amedontrador. Mas devo admitir que isso é um mero detalhe. A realidade (e todos que lêem este blog sabem o quanto isso é importante para mim) dada por Heath a um personagem que soa extremamente caricato (vide a brilhante atuação do Jack Nicholson mas que nem por isso tirou o emblema exagerado do personagem) é algo impressionante. Em um texto anterior, perguntei qual seria o melhor Coringa: Heath ou Jack. Isto foi antes de ver o primeiro em ação. Não há o que comparar, é como se Jack (com todo o respeito!) tivesse construido um Coringa para crianças (isto se deve muito ao modo como o roteiro do longa de Tim Burton foi desenvolvido) e Heath tivesse construido um Coringa esférico, adulto, totalmente plausível para a nossa realidade atual (reparem com ele utiliza bem uma mania comum de passar a língua constantemente sobre as suas cicatrizes – espetáculo!).
Muito se fala sobre um Oscar Póstumo. Eu não duvido.
3o – É um filme de e para Adultos.
Eu adoro as adaptações de quadrinhos para o cinema. Salvo algumas exceções, a maioria (pelo menos nos últimos anos) tem sido bem acima da média. Ao meu ver, temos dois tipos de adaptações, aquelas de personagens famosos e “duradouros” (“Homem Aranha”, “X-men”, “Hellboy”, etc) e aquelas menos conhecidas do público que não é fã de quadrinhos adultos (“V de Vingança”, “Sin City”, “Constantine”, etc). Essas são bem focadas no público adulto e, para o meu gosto, melhores de ver (nada contra as outras, adoro Homem Aranha e ltda. mas acho que V de Vingança e cia. fazem mais meu estilo). Acontece que Batman tem tudo para se enquadrar na primeira classificação (aventura adolescente, vamos assim chamar), já que é um personagem extremamente conhecido e já teve diversas adaptações do gênero. Porém, Nolan o traz a tela de forma madura, adulta, complexa, como nas adaptações preferidas por mim.
E como é isso?
Todos os personagens aparecem de forma esférica, mostrando como podem ser bons e maus, muitas vezes, ao mesmo tempo. Tudo parece real – a começar pelo Batman que não tem super-poderes, apenas se mune de um aparato tecnológico incrível (aqui aparece Morgan Freeman para justificar os apetrechos do morcego) para defender Gotham City (a cidade, por sua vez, está mais parecida com as grandes metrópoles atuais do que nunca, chega muitas vezes a lembrar Nova Iorque – apesar de o longa ter sido filmado em Chicago) e que está sempre questionando se está fazendo a coisa certa já que tudo parece fora de seu controle e do que planejou ao ter criado o super-herói. Além disso, reparem como Bruce aparece sempre arrogante e cheio de manias de grandeza – e aqui não é tão claro que ele só faz isso para esconder sua identidade.
Finalmente, a grande sacada do filme, ao meu ver, é construir um personagem que dá o tom da mensagem de toda a trama. Quem é ele? Duas Caras. Ele personifica de forma excelente, toda a ambigüidade existente no ser humano e é ela que move toda a trama: o dilema do ser humano em pensar nos outros e em fazer o bem ou admitir o quão podemos ser antiéticos, mau-caráteres e mesquinhos quando pensamos em proteger a nossa própria existência.
Para a humanidade, Nolan nos deixa com um fio de esperança, deixando a culpa repousar no ombro de quem sempre defendeu Gothan City: o Cavaleiro das Trevas.
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Marcadores (Tags): Batman: O Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan, Coringa, crítica, Duas Caras, Heath Ledger, Jack Nicholson
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