Um dos estilos musicais mais ouvidos nos dias de hoje, sem dúvida é o rap. Não precisa ser nenhum critico musical ou sequer entendido de música para perceber isso. O também chamado por alguns de hip-hop ou black music é praticamente a única coisa que se ouve nas grandes rádios FM de São Paulo, e acredito que no resto do Brasil não deva ser diferente. Entre Beyoncé, Nelly Furtado, Timbaland e afins, eu me pergunto: Onde estão os artistas nacionais?
No momento em que o hip-hop invade até mesmo a Inglaterra, não temos artistas de rap nacional tocando na rádio, exceto por Marcelo D2. Eu acho que isso se deve principalmente a 3 motivos:
Restrição Social
Apesar dos brancos endinheirados hoje serem consumidores vorazes do Rap importado, o Rap nacional continua acreditando que se manter nas origens é o ideal, ou seja, ser música de negro da periferia para negro da periferia. O curioso é que até mesmo os gangsta rappers, estilo aparentemente mais influente entre os rappers brasileiros, estão lá nadando em dinheiro [ou estavam, pois parte deles acabou morrendo em brigas de gangues]. Mas como sempre, no Brasil, temos que ser mais reais que a realeza.
Falta ou atraso no investimento
No passado ninguém investiu no hip-hop. Sempre se preferiu investir em coisas populares que lançam uma música e mais nada. Em seguida bastava lançar outra e estava tudo resolvido. Parece que os grandes empresários não sabiam pensar no futuro.
A prova da falta de investimento é que o disco de Rap mais vendido do Brasil, Sobrevivendo no Inferno do Racionais MC’s, é um disco independente.
E enquanto o hip-hop crescia lá fora, a pirataria crescia aqui. E em seguida o mp3 cresceu… e as gravadoras encolheram. Agora que perceberam o BOOM do hip-hop no mundo todo, é tarde demais.
Falta de profissionais especializados
Existem ótimos profissionais e produtores musicais no Brasil. Sem querer ser ufanista, mas eu acredito que o brasileiro é capaz de ser melhor em tudo se puder… Se puder.
Como já disse, não tivemos investimento na área, conseqüentemente, os profissionais de música não se especializaram muito nisso. Basta ver que as ótimas produções dos discos do Marcelo D2 são feitas por Mário Caldato Jr., brasileiro, mas escolado lá fora.
Por fim…
Com isso podemos concluir que o Rap brasileiro cavou a sua própria cova… … ou não pois na periferia o Rap nacional continua ativo e forte como sempre. A única diferença é que ficamos com o Rap nacional somente para a periferia e o importado para todos.
Confesso que não gosto do cenário. Desde minha adolescência, ouvindo o Dr. Rap na [extinta???] Metro FM, eu sonhava com um Rap nacional no estilo show business. Mas fazer o quê? Nem mesmo naquela época o Rap nacional tinha eu, classe média, como público alvo.
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