Histórias tristes e melancólicas costumam gerar bons livros. “Não me abandone jamais”, de Kazuo Ishiguro, não é diferente.
Com um quê de ficção científica, o livro é narrado por Kathy H. contando a sua infância em um internato inglês, Hailsham, focando principalmente na sua amizade/”triângulo amoroso” com Ruth e Tommy.
Ainda adolescentes, eles sonhavam com situações e oportunidades que estavam completamente fora de seu alcance e jamais poderiam acontecer. Quando a realidade vem à tona, as amizades, relacioamentos e os vínculos começam a sumir e essa lembrança dos acontecimentos em Hailsham é o que mantém os três unidos até o fim uma vez que eles sabem ter os seus destinos traçados.
Lendo isso você deve se perguntar o que tem de tão interessante no livro, mas se você gosta de se surpreender com um bom livro, isso é o máximo que posso contar da história. E é exatamente nisso que o autor se destaca nesse livro.
A sutileza com que Kazuo Ishiguro, ganhador do Booker Prize em 1989 por “Os Resíduos do Dia”, coloca as situações, por mais estranhas que possam parecer, e a maneira como ele trata a natureza humana nesse livro são o que chamam a atenção.
Se você está procurando um bom livro para ler, pare de ler a crítica por aqui e compre o livro. Garanto que você não se arrependerá.
/*** SPOILER – O texto abaixo contém revelações da história ***/
Acontece que todos os alunos de Hailsham são clones da escória da raça humana, criados única e exclusivamente para serem doadores de orgãos.
Outra coisa impressionante é que, diferente da grande maioria dos livros do gênero, os personagens apesar de sentirem que perderam o tempo e que alguns de seus sonhos jamais poderão se concretizar, nunca se rebelam contra a situação. A aceitam como parte de sua natureza.
E essa á diferença do autor. A palavra clone só vem aparecer depois do meio do livro e ele não se aprofunda muito nas explicações dos “quês e porquês”. Além disso, a maneira como ele coloca esse aparente apatia dos personagens faz com que você não considere isso estranho. Ele faz você também sentir e aceitar aquele fim inevitável.
Neste livro, Kazuo mostra a simplicidade das pequenas coisas mesmo quando elas parecem dramáticas ou melancólicas, o que já justifica a sua leitura.
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Marcadores (Tags): Kazuo Ishiguro, Não me abandone jamais
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Mesmo lendo o spoiler gostei da sugestão! Foi para a lista de compras!
[]´s
Olá, eu preciso recomendar um livro para meu grupo de trabalho, todos engenheiros quimicos, pensei em Não me abandone Jamais, mas como ainda não li (e não terei tempo antes de recomendar) gostaria de saber sua opinião já que vou ter que apresentar sobre ele em uma reunião de discussçao sobre o assunto. PS.: a reunião não tem objetivo de colocar livros tecnicos ou puramente corporativos, pra vc ter uma ideia, o ultimo foi Ensaio sobre a Cegueira de Saramago. Todos gostaram. se puder me responde no email fico grata. obrigada.
Olá Ana,
Obrigado por pedir e considerar a minha opinião a respeito.
Vou enviar um e-mail para você com mais detalhes mas só apra registrar aqui, acredito que esse livro seja um livro bem indicado para quem gosta de ler pois as vezes Kazuo Ishiguro parece não saber para onde está levando a história. Se a pessoa gosta de ler, continua e vê que ele sabe muito bem onde quer chegar, mas se não gosta, pode começar a achar o livro um pouco chato.
Como não conheço o seu grupo de trabalho, fica a seu critério.
Se eles são pessoas que estão começando a tomar gosto pela leitura agora, acho que indicaria “Farenheit 451″ ou “Admirável mundo novo” talvez. São livros mais “chamativos” e são ótimas ficções [estou preparando uma série sobre distopias em que devo citar os dois mas acho que não dará tempo para você].