Estréia hoje o nacional “Verônica”, direção de Maurício Frias, protagonizado por Andréa Beltrão, Marco Ricca e Matheus de Sá.

Tive a oportunidade de assisti-lo na pré-estréia, na semana passada, e fiquei feliz com o que vi.

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Vamos aos fatos.

A primeira impressão não foi muito boa: o começo mostrando uma favela carioca, com traficantes armados, me fez questionar: “seria mais do mesmo? mais um “filme-Brasil-realidade” que tanto tenho criticado aqui neste blog?”

Por sorte, não era. Pelo menos não 100%. Na verdade acredito que uma pequena parte do filme ainda se aproveita da receita de bolo chavão do cinema nacional atual e é quando faz isso que sua qualidade cai.

No restante do tempo, é um filme de aventura que, me lembrou muito o excelente: “Corra Lola, Corra”.

Eis o mote central da trama: Verônica é uma professora de ensino básico de uma escola na periferia do Rio. Um belo dia, um dos seus alunos é “esquecido” na porta da escola. Sem muita escolha, ela acompanha o
menino até a casa dele e acaba descobrindo que seus pais foram assassinados – em um possível “acerto” do tráfico de drogas.

Então, Verônica, que demonstra um certo cansaço com a vida (e isso é refletido com qualidade na boa interpretação de Andréa Beltrão), não sabe o que fazer com o garoto. Após levá-lo para casa (um cubículo que acaba servindo de metáfora para a própria vida da professora e que pode ser definida como “sufocante”), descobre que ele carrega um pen drive com cenas de contato entre a polícia e traficantes de drogas do morro.

Deste momento em diante o foco na aventura de escapar (tanto de policiais corruptos quanto dos traficantes) e sobreviver é total e toda e qualquer semelhança com filmes “verdade” anteriores (com denúncias sociais ou abordagens denunciadoras) são deixadas de lado (ainda bem!). Mesmo os temas corrupção e tráfico de drogas são deixados em segundo plano de forma a deixar o espectador totalmente concentrado na fuga em si e não nos motivos dela (e esse é o grande mérito do filme e o que o distancia dos demais nacionais recentes).

De fato, o grande defeito fica por conta dos efeitos sonoros e da trilha que exagera em sons graves nos momentos de perseguição.

As vezes o longa se perde, confunde sua idéia básica (que seria muito melhor implementada se seguisse apenas na linha do “thriller de fuga”) com os “famosos nacionais” (como na fala final de Verônica: reparem no “quê” pseudo-moralista sobre o destino da personagem). Outro problema é o excesso de clichês: a amiga que não quer ajudar, o amor de mãe e filho entre os protagonistas, o ex-marido “polícia” que pode estar envolvido, o clímax…

Então o filme é ruim? Não!

Aliás, o filme é bom, acima da média. A começar pelas atuações dos 3 personagens principais (Matheus de Sá, interpretando o menino Leandro é um verdadeiro achado!). Além disso, temos uma história que prende a atenção sem a necessidade abordagens apelativas que nos remetam à realidade em que vivemos.

Estamos vendo um filme entretenimento de ação. Ponto. E nacional! Que coragem!

É um grande passo… não é?

[Edit] Eu tinha acabado de publicar este texto quando li este, na Ilustrada da Folha Online. Tem tudo a ver! :)

Eis o trailer:


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